Autocuidado Não Se Compra: Uma Carta Aberta sobre a Vida Real
- 21 de jul. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 8 de set. de 2025
Carta Aberta: Autocuidado é Muito Mais Que Compras!
PARA VOCÊ, QUE ESTÁ TENTANDO SE CUIDAR NESSA VIDA ADULTA - Segue o fio do pensamento
Olá, querido leitor.
Tenho pensado muito sobre o tal do autocuidado. Você já parou para pensar como essa palavra, que deveria trazer leveza, às vezes nos traz uma pressão danada?
A mídia grita em nossos ouvidos que autocuidado é comprar o sabonete novo, o perfume importado, tomar aquele "banho premium" com mil produtos, e gastar sem culpa. E nos convence de que é só isso. Que se você não tem a banheira, prateleiras cheias de produtos ou vários passos de skincare, está fazendo tudo errado. Mas deixa eu te contar uma verdade, daquelas que a gente precisa ouvir: autocuidado é muito mais que gastar.
A Armadilha da Perfeição 'Comprável'
Sabe, eu vejo um padrão perigoso por aí. Você começa a se cuidar, decide investir em produtos para um banho "premium", mas aí vê a blogueira em banheiras luxuosas, cercada de espumas e velas. E de repente, seu banho, que era pra ser relaxante, não parece mais tão "premium" assim. Você se sente menos descansada, menos cuidada, porque não tem a tal "banheira".
E qual a saída que a sociedade te oferece? Ou você se afunda em dívidas para a tão sonhada banheira (que talvez nem use tanto), ou foca em outro "vício em compras" disfarçado de autocuidado.
Aí lá vai você para o skincare: mil produtos, várias técnicas e aparelhos de luz "não sei o que", com ativos de "não sei o que lá", e nada disso com eficacia garantida, para no fim, você sentir que nunca é o bastante, ou que nada funciona em você como funciona na blogueira. "Deve ser o meu corpo", você pensa. "Vou pra academia, ela faz, eu também quero!". Você se matricula, compra vários looks, a creatina e "sei la mais o que" da moda, daí não aguenta o ritmo e se frustra. No fim, teve muitas dívidas, muito cansaço e nenhum autocuidado genuíno.
Aqui temos alguns videos que encontrei de blogueiras em seu banho premium e seus exageros:
O Autocuidado de Verdade: Da Alma Para Fora
Agora, vamos fazer diferente? E se o autocuidado começasse dentro, antes de ir para fora?
Imagine que você começa a se cuidar e decide pensar onde seria esse começo. Analisa que um dos seus maiores problemas é a sua autoestima e quer melhorar isso. Então, procura detalhar o que pode ser feito e o que pode ser simplesmente aceito como uma característica sua, e não um defeito.
Por exemplo: espinhas – dá para cuidar e mudar. Olhos caídos ou muito grandes – são seus, fazem parte de você, e não precisam mudar. Dentes tortos – dá para mudar, mas é um processo longo e que exige paciência. Clavícula à mostra ou pescoço muito longo – essa é você, não precisa mudar isso.
Ao notar o que pode ser mudado para uma melhor aceitação da sua imagem e pontuar o que é seu, sabendo que não é um defeito, podemos começar a mudar com consciência. Aí sim, comprar produtos que realmente te ajudam, e procurar a ajuda de profissionais para entender a causa de alguma das suas inseguranças, por exemplo, alguns casos de espinhas podem ser hormonais, produtos que só atingem a superfície não vão te ajudar “realmente”. Então, não é apenas consumir milhares de produtos de diversas marcas, só para ter um skincare de 567 passos.
Daí você também percebeu que, além da aparência, algo que está te incomoda é a insônia. Então, você começa a se regrar mais na hora de dormir, procurando sempre a melhor opção de hábitos para resolver. Uma dica, não fique no celular porque está sem sono, você está sem sono por estar no celular! Deixar ele longe, desligue as notificações (já falei do loop das telas em outro texto!). Tente ver conteúdos mais calmos e relaxantes antes de dormir.
Um autocuidado que te custou 0 reais.
Perceba que, no fim, nessas duas situações, o foco é melhorar, mas é como você vê o autocuidado que decide se você é a primeira ou a segunda opção.
A Verdade e a Beleza do Autocuidado
O autocuidado de verdade é querer ser melhor, e não apenas parecer melhor. É querer ser mais maduro, mais compreensivo, menos explosivo, mais saudável, ou talvez ter menos dores e por isso focar em ser menos sedentário. É estar mais em paz com suas decisões, ser mais solícito com seus próprios sentimentos, saber a hora de calar aquela vozinha da nossa cabeça que nos faz nos cobrar tanto, a tal da autocobrança. É ter hobbies por prazer e não se cobrar performance (a gente já falou disso, né?). Esse são alguns dos exemplos de melhoras, que se inciam de dentro para fora, e não podem ser comprados, pois são mudanças internas.
O autocuidado é tão vasto e lindo, mas não pode ser reduzido a só consumo, gastos e mais gastos. O que quero te dizer com tudo isso? Que autocuidado é doloroso, é um processo lento, não é milagroso. Não é uma dopamina de doses rápidas.
Mas são cada copo de água que você toma e sente que te faz bem. Esse simples ato, depois de semanas, pode te fazer perceber que as dores de cabeça acabaram, que a fome de doce está mais controlada e sua aparência mais saudável. Tão singelo, tão fácil de adotar, e tão "divisor de águas", hahaha!
Então, para começar essa jornada: beba água.
Com carinho,
Otavia










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